
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso (SINDSPPEN-MT) marcou presença histórica no 10º Congresso Brasileiro sobre Mulheres na Polícia, realizado entre os dias 20 e 22 de maio, em Belo Horizonte (MG). O evento, que reuniu operacionais de todas as forças de segurança do país — incluindo policiais penais, civis, militares, federais e guardas municipais —, debateu a urgência de reformas estruturais e o enfrentamento à violência de gênero e institucional dentro das corporações.
A delegação de Mato Grosso, também representada pelo SINDSPPEN-MT, participou de toda a programação do evento. A ocasião também culminou na redação do Ofício nº 079 – CBMP – 2026, documento formalizado pelas signatárias do congresso e endereçado diretamente à Ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, que funciona como um manifesto nacional e um pedido de socorro da categoria.
O ofício apresenta dados alarmantes do Ministério da Justiça (SENASP/MJSP) sobre a sub-representação feminina e denuncia o ambiente marcadamente machista que as policiais enfrentam diariamente. O texto detalha a precariedade de infraestrutura básica — como a falta de alojamentos e banheiros femininos adequados —, a ausência de apoio para mães solo e o grave cenário de adoecimento mental decorrente de assédios moral e sexual.
Um dos pontos mais sensíveis do documento foi a lembrança de casos emblemáticos de suicídio e feminicídio entre agentes de segurança, como o da escrivã Rafaela Drumond, que motivou uma Lei Complementar de combate ao assédio em Minas Gerais, e de feminicídios recentes ocorridos em 2026 com o uso de armas funcionais do Estado.
Diante da gravidade dos fatos, o ofício protocolado exige com urgência audiências com a Ministra das Mulheres e com o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, além do compromisso do Governo Federal na criação de políticas públicas específicas de proteção às policiais. O objetivo central é a constituição de um movimento social amplo e permanente, com representatividade nacional.
Prevendo o êxito do pedido e a abertura desse canal direto com o Palácio do Planalto, o SINDSPPEN-MT já se dispôs a representar a Polícia Penal de Mato Grosso para compor as mesas de negociação e o futuro comitê nacional. A proposta defendida no congresso é que o movimento tenha uma cadeira dedicada a cada estado da Federação, garantindo que as especificidades da Polícia Penal mato-grossense sejam ouvidas diretamente no Governo Federal.
“Não podemos mais tolerar que as mulheres que cuidam da segurança da sociedade fiquem desamparadas pelo próprio Estado. O SINDSPPEN-MT veio a Belo Horizonte para garantir a voz da policial penal de Mato Grosso. Se o Governo Federal de fato abrir esse canal de diálogo, o nosso sindicato está pronto para compor a mesa de negociações. Não aceitaremos mais que as mulheres que garantem a segurança pública continuem desamparadas pelo próprio Estado”, afirma Luciana Demaman, vice-presidente do SINDSPPEN-MT.


